Comando-Geral da PM responde questionamentos sobre segurança em Curitiba

O Comando-Geral da Polícia Militar do Paraná (PMPR) ocupou o espaço da Tribuna Livre (TL) da Câmara Municipal de Curitiba (CMC) desta quarta-feira (13). A convite do presidente do Legislativo, Tico Kuzma (Pros), o comandante-geral, coronel QOPM Hudson Leôncio Teixeira, apresentou o balanço das atividades realizadas pela corporação em 2021 e respondeu, juntamente com sua equipe de oficiais, às dúvidas dos parlamentares.

No comando-geral da Polícia Militar desde fevereiro do ano passado, o curitibano foi promovido, em 2019, a coronel QOPM (Quadro de Oficiais Policiais Militares), posto máximo da corporação. Antes da função atual, o coronel Hudson foi subcomandante-geral da PMPR. A TL aconteceu durante a sessão plenária de hoje e durou pouco mais de 2 horas do tempo regimental – a íntegra pode ser assistida no canal do YouTube do Legislativo.

No balanço apresentado em vídeo para o plenário, o Comando-Geral da PMPR destacou as centenas de ocorrências e atendimentos promovidos pela corporação e pelo Corpo de Bombeiros Militar no ano passado, segundo ano da pandemia da covid-19. Ao todo, foram realizadas 1.914 operações policiais e atendidas mais de 811 mil ocorrências. Cerca de 3 milhões de pessoas foram abordadas e mais de 1,4 milhão de veículos foram vistoriados, completa o levantamento.

O combate ao crime organizado, em especial ao tráfico de drogas, também foi destacado no Palácio Rio Branco. Cerca de 170 toneladas de drogas foram apreendidas pela Polícia Militar em todo o estado, quantidade que representa mais de R$ 1 bilhão de prejuízo para o crime organizado. Também foram apreendidas 4.897 armas e 60.028 pessoas foram detidas.

Em relação ao trabalho dos bombeiros, o levantamento de 2021 enumerou que 80.555 pessoas que estavam em situação de risco à vida foram socorridas e 33.387 atendimentos pré-hospitalares foram realizados. Além disso, 7.942 incêndios em edificações e meios de transporte e 12.181 incêndios florestais foram combatidos. O balanço também apontou os números do atendimento da Polícia Militar Ambiental, como por exemplo, as 4.445 aves silvestres resgatadas e os R$ 60,2 milhões em multas aplicadas, só em 2021.

“Mesmo com a pandemia, a PMPR não parou um minuto sequer. Além de todo o atendimento que foi prestado, nós também continuamos treinando e qualificando nossos policiais e bombeiros militares”, destacou o Cel. QOPM Hudson Leôncio Teixeira. Segundo o comandante-geral, o trabalho continuará intensificado em 2022 e já pode ser percebido nas ruas da capital, com a Operação Satélite, por exemplo, que é focada no policiamento de proximidade, com viaturas dispostas em esquinas nos bairros, além de um módulo móvel, com patrulhamentos em raios de 2km.

“Outra medida é o trabalho da AIFU [Ação Integrada de Fiscalização Urbana] no atendimento da perturbação do sossego, nos bairros, onde há grande concentração de distribuidoras de bebidas, e na área central. [Também temos a] previsão de iniciar a escola de formação, em maio, junho, de 2.400 novos militares, sendo 2.000 policiais e 400 bombeiros”, complementou o convidado da Tribuna Livre desta semana.

Debate
Ao todo, 23 dos 38 vereadores e vereadoras participaram do debate e tiraram dúvidas sobre o trabalho que a corporação desenvolve na segurança pública da capital. Os questionamentos foram respondidos pelo comandante-geral e por parte dos comandantes e subcomandantes de unidades e batalhões da PMPR, presentes em plenário.

A Mauro Bobato (Pode), por exemplo, o coronel Hudson Teixeira disse que a PM mantém parceria com a Prefeitura de Curitiba para o programa Muralha Digital – parceria essa que ocorre em outros municípios do estado, para ações semelhantes – e que a implantação do projeto estaria em fase final de execução. Já a Leonidas Dias (Solidariedade), que indagou sobre quais seriam os principais crimes atendidos na pandemia, ele respondeu que os crimes de roubo e furto reduziram nos últimos 2 anos, mas voltaram a crescer com a volta da economia.

Sobre a estratégia adotada pela corporação para combater pequenos furtos na área central da cidade, uma das perguntas de Amália Tortato (Novo), o major Valter Ribeiro da Silva, sub-comandante do 12º Batalhão da PMPR, explicou que a 1ª Companhia é quem atende a região e que um trabalho de prevenção é realizado, com a identificação dos pontos de armazenamento dos materiais furtados, policiamento com motos e com viaturas dispostas em pontos diferentes da área central.

Ao vereador Renato Freitas (PT), que indagou sobre o crescimento do número de mortes em confrontos com policiais militares, que coloca o PR em oitava posição no ranking dos estados brasileiros, o coronel Hudson Teixeira disse que a PM está em constante combate ao crime organizado e citou como exemplo os conflitos com PGC (de Santa Catarina, semelhante ao PCC) no litoral, que culminam em mortes. “Esses indivíduos não vêm para conversar com PM, vêm para o confronto”, explicou, para esclarecer ainda, na sequência, que essas ocorrências são levadas ao Ministério Público do Paraná MPPR e à Corregedoria da PM.

Chefe do estado-maior da Polícia Militar, coronel Adilson Luiz Lucas Prüsse, respondeu à Maria Leticia (PV), procuradora da Mulher da CMC, sobre qual a conduta da PMPR em relação às denúncias de assédio sexual e moral que envolvam policiais militares. Segundo ele, a corporação tem uma comissão que analisa casos do tipo e citou, como exemplo, o caso do “tenente-coronel Fernando, que no processo administrativo, perdeu seu posto de coronel em primeira e segunda instâncias, e, agora, o processo está nas mãos do TJPR [Tribunal de Justiça do Paraná]”.

Conselhos Municipais de Segurança Pública, Programa Vizinho Solidário e módulos policiais fixos também foram pautados no debate pelos vereadores Hernani (PSB), João da 5 Irmãos (União) e Salles do Fazendinha (DC), respectivamente. O Comando-Geral da PMPR se posicionou favorável aos dois primeiros itens e desconsiderou a efetividade do terceiro. Coronel Hudson Teixeira disse que a PM apoia e incentiva o funcionamento dos Consegs, pois é através deles que a corporação conhece melhor a realidade das demandas, e que o Programa Vizinho Solidário, com sua rede de comunicação, atua no mesmo sentido.

Em relação à retomada dos módulos policiais, o comandante-geral explicou que essas unidades de monitoramento “tomam muito efetivo”, sendo necessário, no mínimo, “quatro policiais militares para atenderem esses quartéis”. “É mais eficaz e eficiente os policiais nas viaturas em pontos-base, paradas, para que as pessoas saibam onde eles sempre estão”, caso o atendimento não chegue rápido.

Também contribuíram para a discussão os vereadores e vereadoras: Alexandre Leprevost (Solidariedade), Dalton Borba (PDT), Eder Borges (PP), Flávia Franchischini (União), Herivelto Oliveira (Cidadania), Jornalista Márcio Barros (PSD), Mauro Ignácio (União), Noemia Rocha (MDB), Nori Seto (PP), Oscalino do Povo (PP), Professor Euler (MDB), Sabino Picolo (União), Sargento Tânia Guerreiro (União), Serginho do Posto (União) e Sidnei Toaldo (Patriota).

Tribuna Livre
Os temas discutidos na Tribuna Livre são sugeridos pelos vereadores, que por meio de um requerimento indicam uma pessoa ou entidade para discursar e dialogar no plenário. As falas nesse espaço podem servir de prestação de contas de uma entidade que recebe recursos públicos, apresentação de uma campanha de conscientização, discussão sobre projeto de lei em trâmite na Casa etc.

Conforme o Regimento Interno (RI) do Legislativo, as Tribunas Livres ocorrem nas quartas-feiras, durante a sessão plenária – geralmente, após a votação dos projetos de lei e demais proposições, a menos que ocorra a inversão da pauta. Se você participa de uma entidade, representa uma causa ou atividade coletiva, entre em contato com um dos vereadores para sugerir a realização da Tribuna Livre. O RI veda o uso desse espaço por representantes de partidos políticos; candidatos a cargos eletivos; e integrantes de chapas aprovadas em convenção partidária.

Clique aqui para consultar todos os temas já abordados na Tribuna Livre em 2022.

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