O fortalecimento do turismo como política pública estruturante e seu reflexo direto na arrecadação de Curitiba pautaram os debates na Câmara Municipal nesta terça-feira (28). Em votação unânime no primeiro turno, o plenário aprovou a inclusão do Festival da Parmegiana no Calendário Oficial de Eventos do município. Proposta pelo vereador Tico Kuzma, a medida é o primeiro passo para conectar o setor ao novo Fundo Municipal de Turismo — um mecanismo contábil que visa garantir recursos contínuos para o fomento da iniciativa privada e a autonomia das políticas do setor.
Ao fundamentar a proposta, Kuzma trouxe indicadores que comprovam a maturidade do segmento: “Antes de falar do projeto em pauta, quero trazer dados que embasam este momento: Curitiba já demonstra na prática que o turismo é um motor econômico relevante. Hoje falamos de um fluxo anual de mais de 8 milhões de visitantes, com permanência média de quase quatro dias e um gasto diário superior a R$400,00 por pessoa. Isso significa geração direta de renda, emprego e movimentação em diversos setores da economia”, destacou o parlamentar, ressaltando que tais resultados não acontecem por acaso, dependendo de organização e estratégia.
A relevância do projeto é sustentada por métricas de mercado que comprovam que a gastronomia é um dos principais chamarizes da capital. Segundo o Conselho de Turismo da Federação do Comércio (Fecomercio), o turismo gastronômico é um dos segmentos que mais crescem no Brasil, sendo responsável por cerca de 10% a 15% dos gastos totais dos viajantes. Esse dado é corroborado pela Gerência de Dados da Embratur, que aponta que o consumo turístico movimenta 571 atividades econômicas, das quais 191 são compartilhadas com moradores locais, como bares e transportes.
Em Curitiba, o Festival da Parmegiana reflete esse vigor: em apenas dois anos, o evento saltou de 22 para 30 restaurantes, elevando as vendas em até 42%. Para Sérgio Medeiros, do Curitiba Honesta, a lei facilita o suporte institucional necessário para girar a engrenagem: “O setor de gastronomia é uma importante parte da arrecadação de impostos. Essa lei facilita o acesso aos apoios e beneficia desde o açougue até o fornecedor de molhos”.
No campo parlamentar, a discussão revelou que a força da gastronomia reside na sua capacidade de descentralização econômica. O vereador Serginho do Posto enfatizou que o festival fortalece o comércio nos bairros, citando estabelecimentos no Cajuru que se tornaram referências locais. “O desenvolvimento local faz com que o cidadão não precise sair do bairro para consumir qualidade. A oficialização apoia o comércio gastronômico regional, transformando pontos da periferia em novos eixos turísticos”, afirmou. Essa valorização da identidade local foi complementada pela vereadora Andressa Bianchetti, que associou a pujança econômica à tradição familiar: “Venho de uma família italiana e a cozinha é onde as famílias se socializam. O projeto traz economia, mas também dá voz aos produtores e entusiastas que fazem a diferença na nossa sociedade”, defendeu.
Além do faturamento direto, a pesquisa setorial indica que eventos como este consolidam o chamado Turismo de Experiência. Segundo o SEBRAE, o turista moderno busca vivências autênticas, o que coloca Curitiba em vantagem devido à sua formação étnica plural. “Curitiba é construída por diferentes povos: italianos, poloneses, ucranianos, alemães, latinos, africanos. Cada um trouxe sua cultura e isso reflete na nossa gastronomia, que é hoje um dos grandes atrativos turísticos da cidade”, reforçou Kuzma. Rafaela Lupion, presidente da Frente Parlamentar da Gastronomia e do Turismo, destacou que a segurança jurídica do projeto garante que essa pujança seja perene e organizada. No mesmo sentido, o vereador Jasson Goulart relembrou o impacto social dessa movimentação: “Tira as pessoas de casa, gera entrosamento social e mexe com as confeitarias e panificadoras de toda a cidade”.
Para os veteranos do comércio, como Sérgio, do Restaurante Imperial (aberto desde 1966), o festival é uma ferramenta de sobrevivência e crescimento. Kuzma lembrou que muitos estabelecimentos conseguiram se reerguer no pós-pandemia graças a esses festivais: “Temos diversos testemunhos de que festivais como o do Pão com Bolinho e da Carne de Onça incentivam restaurantes a continuar seu trabalho. Eles aumentam o fluxo de pessoas e ocupam os espaços da cidade”.
Encerrando a sessão, Tico Kuzma reiterou que o impacto é multidimensional e que o novo Fundo Municipal será o braço financeiro dessa estratégia de desenvolvimento. “Oficializar o festival dá previsibilidade e fortalece a organização. Quando o visitante vem, ele não consome apenas um prato; ele utiliza o transporte, a rede hoteleira e o comércio. Curitiba precisa ser reconhecida como uma cidade viva, que valoriza o empreendedor pequeno e médio, que gera emprego e paga impostos todos os dias”, finalizou o vereador. O projeto segue agora para segunda votação antes de ser encaminhado para sanção do Executivo.




